A depressão não tem idade

“… a possibilidade de falar sobre a depressão na criança e adolescente gerava muita resistência, tanto entre leigos como profissionais da área de saúde e até mesmo educadores.”

Será que você acreditaria se, após uma consulta, o profissional se virasse para si e lhe dissesse que o seu filho, de apenas cinco anos, tem um diagnóstico de depressão? Como se sentiria? Seria capaz de acreditar que esta doença devastadora, que leva algumas pessoas, por vezes, a cometerem suicídio, poderá atingir uma criança? Pois é, a depressão não atinge apenas pessoas com mais idade, também pode chegar mais cedo à criança, ou então, na fase mais complicada, que a remete para a transição para a vida adulta – a adolescência.

Temos noção que, até há alguns anos, a possibilidade de se falar sobre a depressão na criança e no adolescente gerava muita resistência, tanto entre leigos, como profissionais da área de saúde e até mesmo educadores.

Pensamos na infância como sendo uma fase em que a criança vive num mundo “quase mágico”, marcado por coisas boas, despreocupação e alegria, onde a palavra depressão surge equiparada ao conceito de blasfémia.

O que se pensa pode estar na base do surgimento desta problemática em crianças e adolescentes são, e essas podem ser: abandono e falta de cuidados desde os primeiros meses de vida; prestação de cuidados caóticos, sem nenhuma interacção da mãe com o bebé; conflitos (rejeição pelos colegas); perdas; mudanças relacionadas com a estrutura familiar; escola (cobranças exageradas em relação ao rendimento), ou outros lugares que façam parte do convívio social da criança e do adolescente.

Logicamente não podemos descurar um outro aspecto de grande importância, que é a presença de depressão num dos pais, uma vez que a existência de uma história familiar de depressão aumenta o risco do seu surgimento. De entre os sinais que indicam que a criança poderá, eventualmente, estar diante de uma depressão, poderemos observar os seguintes, em função das idades:

  • Em crianças em idade pré-escolar: queixas de dor (de cabeça e abdominais); alegria de brincar e ir à pré-escola diminuída; dificuldade na aprendizagem de competências sociais próprias da sua idade, ansiedade, medos excessivos, diminuição do apetite, alterações de sono.
  • Idade escolar: tristeza, irritabilidade e/ou aborrecimento; ausência de capacidade de se divertir; choro fácil; cansaço sem razão aparente; isolamento e fraco relacionamento com os amigos; diminuição ou fraco rendimento escolar; ansiedade; medos e fantasias de morte.

Em adolescentes por volta dos doze anos, os sinais podem ser muito parecidos com os de um adulto, mas com algumas particularidades típicas da idade, como irritabilidade e instabilidade e instabilidade, tristeza; perda de energia, desmotivação e desinteresse por grande parte das coisas; falta de concentração e perturbação da memória; sentimentos de desespero, revolta; reacção excessiva à crítica; mudança nos padrões de sono e alimentação e pensamentos ou acções suicidas; consumo de álcool e outras drogas.

Ao reconhecer estes sinais de alarme, podemos ajudar sempre as crianças e adolescentes, se estreitarmos os laços afectivos, estimulando-os no seu desenvolvimento psicossocial (fazer novos amigos; praticar desporto; participar em organizações que estimulem a existência de programas para jovens) e criar o hábito do diálogo com os filhos (é sempre bom que tenham confiança em nós, pois só assim poderão pedir ajuda).

Covid-19 Pensando e aceitando a Diferença sob o Ponto de Vista Psicológico

Ao abordar uma problemática tão actual como o Covid-19, não pretendo defini-la nem tão pouco referir-me às suas formas de contágio. Pretendo, sim, fazer com que os leitores reflictam sobre implicações psicológicas da sociedade nos portadores do Coronavírus, bem como as reacções associadas ao receber um teste com resultado positivo.

São muitas as mensagens: televisivas, rádio, em panfletos, slogans outdoors e revistas, abordando a temática sob os mais variados aspectos. Muitas são ainda as mensagens que abordam a temática da discriminação. A discriminação tem início a partir do momento em que se partilham resultados de testes, áudios e fotografias das pessoas, e muitas vezes forjados em benefício de outrem.

Quantas vezes se ouve; “O fulano contraiu o vírus e veio de propósito para Angola para matar gente”? ou “Beltrano(o) tinha de apanhar o COVID-19 porque viaja muito ”? Isto para não falar dos despedimentos nem das limitações das relações interpessoais reflectidas pelo receio de conviver e de cuidar das pessoas infectadas e dos seus familiares.

A própria família também pode discriminar o portador, a partir do momento em que se sente culpabilizada ao achar que o diagnóstico positivo é sinónimo de má orientação, vergonha, omissão e também pelo receio de um dos membros ficar contaminado.

Será que em momento algum já nos perguntamos como se sentirá a pessoa que descobre que o seu teste é positivo? Será que já pensámos nas implicações psicológicas subjacentes à tomada de conhecimento de que o nosso teste possa ser positivo? Refiro-me a este facto, não apenas por ser uma experiência assustadora preocupante, mais sim pelo trauma que poderá causar ao próprio e aos seus.

Ao ter conhecimento do resultado positivo, a pessoa pode vivenciar as seguintes reacções:

  • Choque: o indivíduo fica confuso, estupefacto e desesperado, podendo de mostrar raiva pelo pessoal médico.
  • Revolta: nesta fase o indivíduo encontra-se extremamente angustiado, perguntando porque foi ele afectado e não outra pessoa.
  • Depressão: pode fazer-se acompanhar por ansiedade e ideias suicidas, resultantes da personalidade, do meio em que o sujeito vive, de factores socioculturais e de formas de manifestação da doença.

Nos casos de indivíduos que já se encontraram debilitados pelas doenças oportunistas, antes do resultado do teste, pode verificar-se algum alívio em saber, finalmente, a causa do estado de saúde debilitante que o angustiava já há algum tempo, sem causa aparente, mas que a seguir se faz acompanhar da depressão e ansiedade. Torna-se importante ressaltar que estas fases não obedecem, necessariamente, à sequência descrita, podendo ser vivenciadas de diferentes formas. O mais importante é estar consciente de que as fases apenas representam um período de adaptação inerente à própria condição humana.

“Corajosos são aqueles que por estas fases passam e as ultrapassam, e quando não se sentem capazes conseguem pedir ajuda”.

Você é vítima de estigma?

Estigma é uma fonte significativa de estresse e desvantagem social, sendo um factor de risco de mortalidade e de morbidade. Estigma social é uma forte desaprovação de características ou crenças pessoais, que vão contra normas culturais. Estigmas sociais frequentemente levam à marginalização.

Estigma é definido como a co-ocorrência de rotulagem, estereótipos, exclusão, perda de status e discriminação em um contexto no qual o poder é exercido. Estigma sobrepõe-se com o racismo e a discriminação, mas difere destas construções em vários aspectos. Apesar de raça / etnia ser um status estigmatizado, o conceito de estigma engloba múltiplos status e características, tais como a orientação sexual, deficiência, infecção pelo HIV e obesidade.

Assim, o estigma pode ser visto como de âmbito mais abrangente do que o racismo. Da mesma forma, a discriminação, tanto em nível individual (ou seja, o tratamento desigual que surge na sociedade em um determinado grupo social) como em nível estrutural (ou seja, as condições sociais que limitam o indivíduo de oportunidades, recursos e bem-estar), é uma característica constitutiva do estigma. Com efeito, o termo estigma” não pode manter todo o seu significado quando este aspecto é deixado fora. No entanto, como o processo global do estigma incorpora vários outros elementos, como a rotulagem e os estereótipos, o seu conceito é mais amplo do que discriminação.

Estigma é um risco à saúde por levar ao isolamento Social

Várias linhas de evidência sugerem que o estigma pode causar isolamento social, seja por medo de rejeição, de avaliações negativas, ou de outras pessoas descobrirem seu status (no caso de situações que podem ser ocultadas, como a infecção pelo HIV, doença mental, baixo nível socioeconómico, orientação sexual). Há diversas evidências dos efeitos benéficos do apoio social sugerindo que o isolamento pode ser um caminho, através do qual o estigma está causando doença na população estigmatizada.

Estigmatizar os outros permite às pessoas do grupo dominante atingir os fins que desejam. As metas principais do estigma são:

  1. Manter as pessoas abaixo (para exploração: negros, índios, pobres, iletrados,);
  2. Manter as pessoas “dentro” (aplicação da norma: comportamento sexual, padrões de beleza, discurso anti-obesidade);
  3. Manter as pessoas longe (evitar doentes mentais, dependentes químicos, pessoas com histórias fragmentadas e pouco convencionais).

Na medida em que existem grandes diferenças de poder entre aqueles que estigmatizam e aqueles que são estigmatizados, pode-se esperar que os interesses do grupo mais poderoso se expressem de forma confiável nos diversos tipos de desigualdades que o estigma pode produzir. À semelhança de outros factores-chave da saúde da população, o estigma está relacionado a vários resultados através de múltiplos mecanismos sociais e psicológicos. Aqueles que querem manter os outros para baixo, dentro, ou fora, e que tem o poder para isso não estão limitados a um conjunto fixo de estratégias. Se uma importante estratégia existente é bloqueada (por exemplo, por lei) ou perde a sua capacidade para atingir os fins desejados, outras estratégias podem ser reforçadas ou novas serão criadas.

Caracterização

Exemplos de estigmas sociais históricos ou existentes podem ser deficiências físicas ou mentais, ilegitimidade, homossexualidade, filiação a uma nacionalidade, religião (ou falta de religião) ou etnicidade específicas, tais como ser branco, judeu, negro ou cigano. Outrossim, a criminalidade carrega um forte estigma social.

O estigma pode se apresentar em três formas, segundo Erving Goffman: as deformações físicas (deficiências motoras, auditivas, visuais, desfigurações do rosto etc.); características e alguns desvios de comportamento (distúrbios mentais, vícios, toxicodependências, sexualidade, reclusão prisional etc.); e estigmas tribais (relacionados com a pertença a uma raça, nação ou religião).

Embora as características sociais específicas que se tornaram estigmatizadas possam variar através do tempo e espaço, as três formas básicas de estigma (deformidade física, características pessoais e status tribal desviante) são encontrados na maioria das culturas e épocas, levando alguns psicólogos a teorizar que a tendência para estigmatizar possa ter raízes evolucionarias.

Há também, estigmas de comportamento que definem e limitam aspectos da vida quotidiana. Por exemplo: a cor rosa no vestuário apenas para mulheres e o futebol como desporto de homens. Esses estigmas são associados a outros, como por exemplo: roupas largas são para homens e justas são para mulheres – pessoas que desobedecem esta norma são consideradas homossexuais. Apesar de esses estigmas enfraquecerem com o tempo, eles permanecem activos até que um grande choque cultural os derrube.

Referencias: http://cienciasecognicao.org/neuroemdebate/?p=1544

https://pt.wikipedia.org/wiki/Estigma_social

O que é Covid-19 ou Coronavírus?

COVID-19 (do inglês Coronavírus Disease 2019) é uma doença infecciosa causada pelo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2). Os sintomas mais comuns são febre, tosse e dificuldade em respirar. Cerca de 80% dos casos confirmados são ligeiros ou assintomáticos e a maioria recupera sem sequelas. No entanto, 15% são infecções graves que necessitam de oxigénio e 5% são infecções muito graves que necessitam de ventilação assistida em ambiente hospitalar. Os casos mais graves podem evoluir para pneumonia grave com insuficiência respiratória grave, falência de vários órgãos e morte.

A doença transmite-se através de gotículas produzidas nas vias respiratórias das pessoas infectadas. Ao espirrar ou tossir, estas gotículas podem ser inaladas ou atingir directamente a boca, nariz ou olhos de pessoas em contacto próximo. Estas gotículas podem também depositar-se em objectos e superfícies próximos que podem infectar quem nelas toque e leve a mão aos olhos, nariz ou boca, embora esta forma de transmissão seja menos comum. O intervalo de tempo entre a exposição ao vírus e o início dos sintomas é de 2 a 14 dias, sendo em média 5 dias. Entre os factores de risco estão a idade avançada e doenças crónicas graves como doenças cardiovasculares, diabetes ou doenças pulmonares. O diagnóstico é suspeito com base nos sintomas e factores de risco e confirmado com ensaios em tempo real de reacção em cadeia de polimerase para detecção de ARN do vírus em amostras de muco ou de sangue.

Entre as medidas de prevenção estão a lavagem frequente das mãos, evitar o contacto próximo com outras pessoas e evitar tocar com as mãos na cara. A utilização de máscaras cirúrgicas é recomendada apenas para pessoas suspeitas de estar infectadas ou para os cuidadores de pessoas infectadas, mas não para o público em geral. Não existe vacina ou tratamento antiviral específico para a doença. O tratamento consiste no alívio dos sintomas e cuidados de apoio. As pessoas com casos ligeiros conseguem recuperar em casa. Os antibióticos não têm efeito contra vírus.

Sinais e sintomas

A gravidade dos sintomas vária, desde sintomas ligeiros semelhantes à constipação até pneumonia viral grave com insuficiência respiratória potencialmente fatal. Em muitos casos de infecção não se manifestam sintomas. Nos casos sintomáticos, os sintomas mais comuns são febre, tosse e dificuldade em respirar. Entre outros possíveis sintomas menos frequentes estão garganta inflamada, corrimento nasal, espirros ou diarreia. Entre as possíveis complicações estão pneumonia grave, falência de vários órgãos e morte.

Entre os sinais de emergência que indicam a necessidade de procurar imediatamente cuidados médicos estão a dificuldade em respirar ou falta de ar, dor persistente ou pressão no peito, confusão, ou tom azul na pele dos lábios ou da cara.

O período de incubação entre a exposição ao vírus e o início dos sintomas é, em média, de 5 dias, embora possa variar entre 2 e 14 dias. A doença é contagiosa durante o período de incubação, pelo que uma pessoa infectada pode contagiar outras antes de começar a manifestar sintomas.

Causas

A COVID-19 é causada pela infecção com o coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2). O vírus transmite-se através de gotículas produzidas nas vias respiratórias das pessoas infectadas. Ao espirrar ou tossir, estas gotículas podem ser inaladas ou atingir directamente a boca, nariz ou olhos de pessoas em contacto próximo. Estas gotículas podem também depositar-se em objectos e superfícies próximos que podem em seguida infectar quem nelas toque e leve a mão aos olhos, nariz ou boca, embora esta forma de transmissão seja menos comum.

Os factores de risco são idade superior a 65 anos, doenças subjacentes de elevado risco, contacto próximo com um caso confirmado, residência ou viagem para um local de transmissão comunitária activa nos últimos 14 dias e residência num lar de terceira idade. Entre as doenças subjacentes de elevado risco estão doenças respiratórias, doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão arterial e doença renal ou hepática.

O SARS-CoV-2 pode manter-se activo de várias de horas a dias em gotículas e superfícies. É detectável em aerossóis por até três horas, até quatro horas em cobre, até 24 horas em papelão e até dois a três dias em plástico e aço inoxidável.

Mecanismo

O SARS-CoV-2 afecta principalmente os pulmões. O vírus entra no corpo pelo nariz, boca ou olhos e infecta as células que produzem uma proteína denominada enzima conversora da angiotensina 2 (ACE2). A ACE2 é mais abundante nas células alveolares do tipo II dos pulmões. O vírus liga-se à célula fundindo a sua membrana lipídica com a membrana da célula e em seguida começa a libertar o seu ARN. A célula lê o ARN viral e começa a produzir proteínas que inibem o sistema imunitário e ajudam a produzir novas cópias do vírus. Cada célula infectada pode produzir e libertar milhões de cópias do vírus antes de morrer, infectando novas células e causando sintomas respiratórios.

Diagnóstico

O diagnóstico da doença pode ser suspeito com base na combinação de sintomas, factores de risco e de uma TAC ao tórax que mostre sinais de pneumonia. O diagnóstico pode ser confirmado com um exame de reacção em cadeia de polimerase via transcriptase reversa (rRT-PCR) ao exsudado nasofaríngeo ou a uma amostra de secreções do trato respiratório, ficando os resultados disponíveis após algumas horas a dois dias. Podem também ser usados ensaios imunológicos para detecção dos anticorpos numa amostra de sangue, ficando os resultados disponíveis após alguns dias. Os resultados demoram geralmente de algumas horas a alguns dias.

Os critérios de diagnósticos definidos pelo hospital da Universidade de Wuhan sugerem métodos de detecção de infecções com base nas características clínicas e risco epidemiológico. Os critérios consistem em identificar pacientes com pelo menos dois dos seguintes sintomas, além de historial de deslocações para a província de Wuhan ou contacto com outros pacientes infectados: febre, achados imagiológicos sugestivos de pneumonia, concentração de glóbulos brancos normal ou inferior ao normal, ou contagem de leucócitos inferior ao normal.

Prevenção

Prevenir um pico de infecções, prática também conhecida como achatar a curva epidemiológica, ajuda a evitar que os serviços de cuidado com a saúde sejam sobrecarregados, e também provê mais tempo para que vacinas/tratamentos sejam desenvolvidos. O mesmo número de pessoas infectadas espalhadas por um período mais longo de tempo permite com que os serviços de saúde gerenciem melhor o volume de pacientes.

Entre as medidas de prevenção para diminuir a possibilidade de ser infectado estão lavar frequentemente as mãos com sabão e água quente, evitar tocar nos olhos, nariz ou boca com as mãos por lavar, cobrir o nariz e a boca com um lenço de papel ou com o cotovelo ao espirrar e tossir e evitar o contacto próximo com pessoas doentes. Recomenda-se que a lavagem das mãos demore pelo menos 20 segundos, especialmente após usar a casa de banho, antes das refeições ou após assoar o nariz, tossir ou espirrar. Quando não está disponível água ou sabonete, recomenda-se o uso de solução desinfectante para as mãos com pelo menos 60% de álcool. Em caso de surto, as autoridades de saúde recomendam medidas de distanciamento social, como manter-se em casa e sair apenas quando necessário, evitar o contacto próximo com outras pessoas, evitar viagens e eventos públicos e o encerramento de escolas e locais de trabalho.

A utilização de máscaras cirúrgicas é apenas recomendada nos casos em que a pessoa apresenta sintomas de infecção respiratória, como tosse ou espirros, em casos suspeitos de COVID-19 ou em pessoas que prestem cuidados a suspeitos de COVID-19.

Não existe vacina contra a doença. Embora haja várias em desenvolvimento, prevê-se que só estejam disponíveis em 2021. Até estar disponível uma vacina, as autoridades de saúde tentam diminuir o ritmo de contágio para diminuir o pico da curva epidemiológica, um processo denominado “achatar a curva”. Diminuir o ritmo de novas infecções diminui o risco de sobrecarga dos serviços de saúde, o que permite melhor tratamento dos casos em curso e atrasa casos adicionais até estar disponível um tratamento ou vacina.

Prevenção em casos suspeitos ou confirmados

No caso de suspeita da doença, as autoridades recomendam que a pessoa coloque imediatamente uma máscara e telefone para uma linha de assistência antes de se deslocar a um estabelecimento de saúde. Nos casos em que a pessoa esteja infectada ou suspeite de estar infectada, as autoridades de saúde recomendam que sejam tomadas medidas de prevenção adicionais para evitar contagiar outras pessoas. Entre estas medidas de prevenção adicionais estão evitar o uso de transportes públicos, usar máscara durante o contacto com outras pessoas, permanecer numa divisão isolada caso partilhem a casa com mais pessoas e, se possível, usar instalações sanitárias separadas, evitar partilhar objectos pessoais e limpar com sabão ou detergente e depois desinfectar diariamente as superfícies frequentemente tocadas na divisão de isolamento, como telefones, comandos, bancadas, tampos, maçanetas, sanitários, teclados e mesas de cabeceira. É ainda recomendado aos cuidadores que usem máscara.

Tratamento

Os casos graves requerem administração de oxigénio (na imagem) e os casos críticos requerem internamento em unidade de cuidados intensivos. As pessoas que suspeitem estar infectadas são aconselhadas a usar constantemente máscara e a contactar imediatamente um serviço de saúde para aconselhamento. Não existe tratamento antiviral específico recomendado para a doença. O tratamento consiste em cuidados de apoio para o alívio de sintomas. Em casos graves podem ser necessários cuidados para manter as funções vitais.

Cerca de 81% dos casos de COVID-19 manifestam apenas sintomas ligeiros ou doença não complicada que pode ser tratada em casa. No entanto, cerca de 14% são casos graves que requerem internamento hospitalar e administração de oxigénio, e cerca de 5% são casos críticos que requerem internamento numa unidade de cuidados intensivos e ventilação assistida.

Casos ligeiros

As autoridades de saúde recomendam que as pessoas com sintomas ligeiros permaneçam em casa, contactem os serviços de saúde e monitorizem a evolução dos sintomas. Em casos ligeiros ou sem sintomas pode não ser necessária intervenção hospitalar, excepto nos casos em que se receie rápida deterioração ou a pessoa não se consiga deslocar ao hospital no caso de piorar. As pessoas que se encontram a recuperar em casa são instruídas a isolar-se e a adoptar medidas de prevenção para prevenir a transmissão do vírus a outras pessoas. Os sintomas de casos ligeiros podem ser aliviados com antipiréticos como o paracetamol.

É recomendado que a pessoa regresse ao hospital se a doença se agravar. Entre os sinais de emergência que indicam a necessidade de procurar imediatamente cuidados médicos estão a dificuldade em respirar ou falta de ar, dor persistente ou pressão no peito, confusão, ou tom azul na pele dos lábios ou da cara.

Casos graves

Em casos graves, a doença pode ser complicada por pneumonia grave com síndrome respiratória aguda grave, sepse e insuficiência de vários órgãos, incluindo insuficiência renal e insuficiência cardíaca. Cerca de 14% dos casos confirmados são casos graves que requerem oxigenoterapia e cerca de 5% são casos críticos que requerem internamento numa unidade de cuidados intensivos. O tempo médio desde o aparecimento de sintomas até ao internamento hospitalar é de cerca de 7 dias.

O risco de doença grave ou morte é maior em pessoas de idade avançada e pessoas com comorbidades como hipertensão arterial, diabetes ou doenças cardiovasculares. A OMS recomenda que as pessoas em grupos de risco sejam sempre observadas em ambiente hospitalar, mesmo que só manifestem sintomas ligeiros.

A dor e a febre podem ser aliviadas com antipiréticos e analgésicos, embora as evidências actuais não apoiem a administração rotineira de antipiréticos no tratamento de febre em infecções respiratórias. Alguns médicos têm sugerido que os anti-inflamatórios não esteróides como o ibuprofeno possam agravar a doença, embora não haja actualmente evidências fortes que apoiem esta hipótese. No entanto, o ibuprofeno não é recomendado durante a gravidez ou em recém-nascidos.

Prognóstico

Cerca de 80% dos casos confirmados são ligeiros ou assintomáticos e a maioria recupera sem sequelas. No entanto, 15% são infecções graves que necessitam de oxigénio e 5% são infecções muito graves que necessitam de ventilação assistida em ambiente hospitalar. Os casos ligeiros geralmente recuperam ao fim de duas semanas, enquanto os casos graves e críticos podem demorar de 3 a 6 semanas a recuperar. Dos casos que resultaram em morte, a maior parte dos pacientes tinha o sistema imunitário debilitado por idade avançada ou problemas de saúde anteriores, como hipertensão, diabetes ou doenças cardiovasculares. As crianças apresentam geralmente sintomas ligeiros e uma probabilidade muito menor de desenvolver doença grave.

Em pessoas com menos de 50 anos de idade, o risco de morte é inferior a 0,5%, enquanto em pessoas com mais de 70 é superior a 8%. A mortalidade é influenciada pelos recursos médicos e socioeconómicos de determinada região. As estimativas da taxa de mortalidade da doença variam significativamente, devido não só às diferenças regionais nos cuidados de saúde mas também devido a dificuldades metodológicas. Muitos dos casos ligeiros ou assintomáticos não chegam a ser contabilizados, o que pode fazer com que a taxa de mortalidade seja sobrestimada. Por outro lado, o facto de as mortes serem o resultado de infecções contraídos no passado pode significar que as taxas de mortalidade actuais são subestimadas.

Embora ainda não haja dados específicos para a COVID-19, com base nos dados de outros vírus semelhantes, como o da SARS ou MERS, é possível que as grávidas estejam em maior risco de desenvolver infecção grave. É provável que fumar esteja associado a pior prognóstico.

A velocidade de transmissão do vírus é maior em situações em que as pessoas estão em contacto próximo ou viajam para outras regiões. As restrições de viagens permitem diminuir o número básico de reprodução de 2,35 para 1,05, o que permite controlar a epidemia.

Um estudo observacional com nove pessoas não encontrou evidências de transmissão vertical entre mãe e recém-nascido.[90] Um estudo descritivo em Wuhan não encontrou evidências de transmissão através de sexo vaginal, embora os autores fizessem notar que fosse possível transmissão por outras vias.

História

Os coronavírus são uma grande família de vírus que causam várias doenças respiratórias, desde doenças ligeiras como a constipação até doenças mais graves como a síndrome respiratória aguda grave (SARS). Entre outras epidemias causadas por coronavírus estão a epidemia de SARS em 2002-2003 e a epidemia de síndrome respiratória do Médio Oriente (MERS) em 2012.

O SARS-CoV-2 foi identificado pela primeira vez por autoridades da cidade de Wuhan, capital da província de Hubei na China, entre pacientes que tinham desenvolvido pneumonia sem causa identificável. O surto inicial deu origem a uma pandemia global que à data de 3 de Abril de 2020 tinha resultado em 1 041 126 casos confirmados e 55 132 mortes em todo o mundo.

Pensa-se que o SARS-CoV-2 tenha origem zoonótica. A primeira transmissão para seres humanos ocorreu em Wuhan, na China, em Novembro ou Dezembro de 2019. No início de Janeiro de 2020, a principal fonte de infecção era já a transmissão entre seres humanos.

Em Janeiro de 2020, cientistas chineses publicaram a sequência de ácidos nucleicos do SARS-CoV-2 para que os laboratórios de todo o mundo pudessem desenvolver testes PCR para detectar infecção pelo vírus. Em 18 de Março de 2020 foi publicado o primeiro teste serológico para detecção de anticorpos no sangue. Em 21 de Março, a FDA aprovou o primeiro teste no ponto de atendimento.

Investigação

A investigação de potenciais tratamentos teve início em Janeiro de 2020, embora o desenvolvimento de novas terapêuticas possa só estar concluído em 2021. No fim de Janeiro, as autoridades de saúde chinesas começaram a testar os atuais tratamentos para a pneumonia em doenças causadas por coronavírus. Está também a ser investigada a potencialidade terapêutica do remdesivir, um inibidor da polimerase do ARN, e de interferão beta.

Dado o seu papel na transmissão e progressão da doença, o foco de grande parte da investigação tem sido a enzima ACE2.

Vacina

Embora não esteja ainda disponível uma vacina, várias organizações têm tentado desenvolver uma. Uma vez que tanto o SARS-CoV-2 como o SARS-CoV usam a ACE2 para invadir as células humanas, grande parte da investigação actual assenta sobre o trabalho de investigação anterior do SARS-CoV. O primeiro ensaio clínico para uma vacina teve início em 16 de Março de 2020 em Seattle.

Antivirais

A OMS ainda não aprovou qualquer medicamento para o tratamento de infecções por coronavírus em seres humanos, embora as autoridades de saúde chinesa e coreana recomendem alguns. À data de Março de 2020 tinham já sido iniciados ensaios para determinar a eficácia de vários antivirais, entre os quais oseltamivir, lopinavir/ritonavir, ganciclovir, favipiravir, baloxavir marboxil, umifenovir e interferão alfa. No entanto, não existiam ainda dados que apoiassem a sua administração.

O remdesivir e a cloroquina são eficazes a inibir coronavírus in vitro. O remdesivir está actualmente em fase de ensaios nos Estados Unidos e na China. Os resultados preliminares de um ensaio multicêntrico sugerem que a cloroquina é eficaz e segura no tratamento da pneumonia associada a COVID-19.

Um estudo em 80 pacientes que comparou a eficácia do favipiravir em relação ao lopinavir/ritonavir, observou que o favipiracivir eliminou a presença de vírus em apenas 4 dias, em comparação com os 11 dias do grupo de controlo, e que 91,43% dos pacientes apresentavam melhorias nas TAC com poucos efeitos secundários. No entanto, as conclusões deste estudo são limitadas, por não ter sido um ensaio aleatorizado controlado com dupla ocultação.

Um ensaio clínico não randomizado conduzido na França, testou o uso da hidroxicloroquina isolada, ou em combinação com azitromicina, comparado com um grupo de pacientes positivos que não receberam esses fármacos. Apesar de os resultados demonstrarem benefícios, os problemas metodológicos gerados enfraquecem a evidência científica.

Imunidade passiva

À data de Março de 2020 estava a ser investigada enquanto método de imunização a transferência de sangue doado com anticorpos produzidos pelo sistema imunitário de pessoas que recuperaram de COVID-19. A mesma estratégia tinha sido já tentada para a SARS. Antecipa-se que o mecanismo de acção pelo qual a terapia com anticorpos possa mediar a defesa contra o SARS-CoV-2 seja a neutralização viral, embora possam ser possíveis outros mecanismos, como a citotoxicidade mediada por células dependente de anticorpos ou a fagocitose. Estão também em desenvolvimento outras formas de terapia de imunidade passiva, entre as quais o uso de anticorpos monoclonais.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/COVID-19

Porque os chefes castigam e os líderes orientam?

“Os liderados que confiam no seu líder estão dispostos a aceitar as suas orientações crendo sempre que os seus direitos e interesses não serão prejudicados.”

Em pleno século XXI, ainda é cultivada a cultura do suposto “chefe”. Na nossa sociedade, esta representação surge ainda mais acentuada. Vamos, com frequência, humilhações de colaboradores de várias instituições em frente ao público, nas diversas áreas de trabalho: insultos, gritos, gestos obscenos, etc.

Todo o ser humano tem necessidade de demonstrar poder! Mas questiono-me: até que ponto, no mundo actual, o poder representa uma anarquia, relativamente àquele que se apresenta numa posição hierárquica inferior?

Parece que a base deste tipo de conduta é, sem dúvida alguma, a ambição desmedida. Denota-se que cada vez mais, mesmo nas grandes organizações, os que ocupam lugares “de chefia” aprendem com mais facilidade a cultura do “manda quem pode” e apenas devem obedecer aqueles que de mim dependem. E o resto como é que fica? Será que os “chefes” estão habituados à cultura do medo e programados para funcionarem sempre desta maneira?

Não será mais pertinente a capacitação para melhorar o desempenho? A posição nem sempre remete para o sentido da justiça, como muitos de nós aprendemos, quando éramos castigados pelos nossos pais, quando nos comportávamos mal.

Ser disciplinado nem sempre significa calar e aceitar de forma deliberada questões e actos desprovidos de valor social real, pois a disciplina não implica necessariamente fazer o que é possível e o que o poder de execução comporta neste tipo de funcionamento. Ser chefe é bem mais simples, pois o poder conferido ao cargo, por si só, funciona como uma grandeza necessária ao ego.

Hoje, cada vez mais, um bom líder deve considerar a confiança como pedra fundamental e, ao invés de usar métodos rudimentares, que ocasionam efeitos adversos graves (usados pelo chefes), deve fazer com que os seus subordinados busquem orientações com pessoas honestas e capazes, pois não levam vantagens de nada. O líder não pune, porque acredita no significado de trocar, apoiar, avisar, cuidar, formar, confiar, delegar, promover, crescer, motivar. O exercício de poder é mais do que mandar fazer, é liderar e fazer acontecer.

Os líderes que confiam no seu líder estão dispostos a aceitar as orientações, crendo sempre que seus direitos e interesses não serão prejudicados.

Eu sou grata

“Agradecer um favor, um apoio, uma gentileza, uma orientação ou uma oportunidade não é apenas uma demonstração de reconhecimento e de educação. É um tributo à justiça.”

A gratidão é dos sentimentos mais nobres do ser humano e das palavras mais difíceis de entender e de pôr em prática, apesar de apreendermos, desde muito cedo, que para termos um coração feliz, a gratidão é fundamental. De facto, todos nós gostaríamos de sentir gratidão, mas não é fácil ser constantemente grato em todas as coisas e, principalmente, nas adversidade da vida.

Ao longo dos anos, tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas cujo sofrimento parecia penetrar-lhes os cantos mais recônditos da alma. Poucas delas me ensinaram o que poderíamos fazer para tomar a vida mais agradável, mais alegre e até gloriosa. Mas a experiência e a convivência com estas pessoas ensinou-me que atitudes positivas, quando transformadas em hábitos, podem, sem dúvida, complementar a nossa felicidade.

A verdadeira gratidão encontra-se na apreciação de pequenas coisas e na oportunidade de aprender algo novo, buscar ser alguém melhor. E também quando agradecemos por coisas simples e a pessoas que, de alguma forma, nos ajudaram. Agradecer, ao que tudo indica, pode até parecer um acontecimento banal, mas constitui uma acção geradora de mudanças positivas nos relacionamentos e até na nossa própria saúde e sanidade mental. Não é por acaso que estudos recentes mostram que, ao sermos gratos, as nossas emoções positivas são enaltecidas e isso faz de nós pessoas menos stressadas, mais alegres, vitais, com rápida recuperação de doenças e melhorias ao nível de relacionamentos sociais.

Ser grato é ter um “sentimento de reconhecimento, uma emoção por saber que uma pessoa fez uma boa acção, um auxílio, em favor de outra”. É uma dívida, é querer agradecer a outra pessoa por ter feito algo muito benéfico.

Na realidade, a gratidão resgata a nossa memória positiva e melhora a auto-estima e auto-valorização por sabermos onde estamos e qual o nosso potencial, ajudando na percepção de que somos fortes e capazes, seguindo a ordem do sucesso: ser, fazer e ter.

Nada é mais íntegro do que reconhecer o mérito de um acto bom. Agradecer um favor, um apoio, uma gentileza, uma orientação ou uma oportunidade, não é apenas uma demonstração de reconhecimento e de educação. É um tributo à justiça.

Temos de saber agradecer em termos práticos a quem nos ajudou, apesar de se verificar que quem tem gratidão tem dificuldade em agradecer por não saber a quem o fazer. “A gratidão é virtude das almas mais belas”. (sn)

Quem nunca sentiu medo que atire a primeira pedra

“O medo existe e isto é uma constatação. Esse fenómeno continuará, sem dúvida, presente nas nossas vidas, se nós não tivermos a capacidade de mudar o pensamento que o alimenta.”

Todos nós temos medos e por vezes incorremos no erro de achar que eles fazem parte da nossa personalidade. Temos medo de cair, de sair, dos manipuladores, do poder e dos que adoram o poder. Temos medo de morrer e de que alguém muito próximo de nós morra. Temos medo de trair e ser traídos, de amar e ser amados, de mudar e até mesmo de dizer ao outro eu te amo e sou capaz de abdicar de tudo por ti. Temos medo da loucura, do prazer, de querer e ansiar por mais e nunca mais parar de querer. Temos medo de ser diferentes e aceitar a diferença, de mudar e reiniciar, de ser responsável, livres e até mesmo de sonhar.

O medo pode ser considerado um tipo de reacção involuntário do nosso corpo, faz parte da nossa existência e é necessário para a nossa protecção e imortalização. Pode igualmente tornar-se um problema do qual não nos livramos, acabando por causar danos à nossa vida. Durante a nossa vida aprendemos a evitar o medo, o que nem sempre constitui a postura mais acertada. A origem do medo, grande parte das vezes reside no nosso passado, naqueles traumas (que às vezes achamos pequenos) e expectativas não alcançadas. Contudo, a grande questão reside em como superá-lo! O medo existe e isto é uma constatação. Ele continuará, sem dúvida, presente nas nossas vidas, se nós não tivermos a capacidade de mudar o pensamento que o alimenta.

Devemos acima de tudo tentar compreendê-lo, aceitando-o sem necessitar da aprovação por meio do que nos é imposto socialmente. Vamos deixar de lado a ideia de que somos incapazes, percebendo que o medo é uma mera ilusão e ver o mundo com base na realidade (como ele é).

Você deve ter consciência que o medo não pode paralisá-lo(a) e deixar que existe crescimento interior. Porque não focar-se nos danos que o medo pode causar? Forcar-se nas suas reais potencialidades e valorizar-se? Esquecer os fracassos? Aprender com a experiência dos outros para vencer e dar espaço a pensamentos que somem? Tenha confiança em si e escolha sempre para si metas que tenha consciência que podem ser alcançáveis.

Pense positivamente e reflicta, pois “o medo é o que impede que tudo o que chega às mãos dos homens não se torne em sua propriedade” (Agustina Bessa-Luis).

Todo o ser humano é por natureza ansioso

A ansiedade é considerada uma emoção normal que caracteriza a nossa espécie. É com a ansiedade que nós aprendemos a proteger-nos e a reagir diante de uma situação de perigo. Quando ela é normal, funciona como um sentimento que acompanha mudanças na vida de cada um de nós. O leitor lembra-se do frio sentido na barriga, quando entrou pela primeira vez na sala de aulas? E quando fez a sua primeira prova e esperou pela nota? Recorda-se da sensação de medo, acompanhada de suor nas mãos e batimentos do coração bem acelerados?

Estava provavelmente ansioso, nestas situações, e nem por isso desistiu, as sensações desagradáveis que sentiu. Isto é a ansiedade normal! Este tipo de ansiedade ajuda-nos a autoconhecer-nos e auxilia a nossa capacidade de adaptação, pois faz com que fiquemos em alerta e tenhamos a capacidade de resolver os problemas com precisão.

Afinal, quando é que a ansiedade se torna patológica? Torna-se problemática em duas situações particulares quando não existe causa para nos sentirmos ansiosos; ou quando até  existe uma situação que nos deixa ansiosos, mas à qual nós reagimos de forma desproporcional, isto é exagerada.

Os sintomas que acompanham a ansiedade, em qualquer situação, podem ser físicos e psicológicos. Entre eles, vale a pena citar: inquietação, palpitações, suores, sensação de opressão no peito, náuseas, vómitos, diarreia, sensação de falta de ar, medos sem fundamento (de animais, de falar em público, etc.), vertigens, sensação de estômago apertado, boca seca, sensação de insegurança, tremores, tensão muscular excessiva, insónia, etc.

Vários factores podem estar na base do seu surgimento e de todas as dificuldades da vida, designadamente a angústia, as dificuldades pessoais de inserção na sociedade, os conflitos interiores no domínio afectivo, emocional e sexual, situações de dor e o abuso de certas substâncias (café, chá preto, tabaco, e drogas diversas), bem como a presença na família de pessoas próximas com problemas de ansiedade (progenitores e familiares directos).

A ansiedade patológica engloba uma gama muito vasta de transtornos de ansiedade, nomeadamente: o transtorno de pânico; ansiedade social; fobias; transtorno obsessivo-compulsivo e agorafobia e stress pós-traumático. A ansiedade patológica faz com que o nosso organismo reaja sempre como se estivéssemos em situação de perigo.

Lógico que isto é desgastante e pode requerer ajuda psicológica e psiquiátrica, quando o indivíduo já não consegue funcionar no seu dia-a-dia. Como pode ser superada essa sintomatologia? Em primeiro lugar, torna-se relevante considerar que a ansiedade é um fenómeno universal e, por isso, faz parte da nossa existência.

Devemos reconsiderar sempre o nosso modo de vida e isto implica a adopção de hábitos de vida saudáveis. Tácticas como fazer exercício físico, evitar o consumo de bebidas que contêm cafeína na sua constituição, fazer uma massagem, aprender a respirar, fazer actividades que relaxem, (como caminhar, espreguiçar ao acordar e várias vezes ao dia), tentar pensar positivamente (afaste os pensamentos negativos do seu dia-a-dia e foque a sua atenção nas coisas boas que estão a acontecer à sua volta), planear e organizar os seus afazeres (façam um calendário com as actividades a executar e aprenda a sair com antecedência para os seus compromissos) e aprender a comunicar (fale das suas preocupações e medos com um amigo, familiar ou companheiro, pois poderão ajuda-lo a lidar com a situação e com certeza você poderá sentir-se mais aliviado).

E relembre sempre que “A ansiedade faz toda a esperança parecer angustiante”. (João Paulo Diniz).

O Casamento e suas expectativas

“A grande dificuldade e, de certa forma, desafio, passa por diante do irrealismo conseguir manter uma relação harmoniosa”

Algures, durante a minha formação em Psicologia, um professor proferiu o seguinte: “O casamento é um contrato em que ambos os cônjuges o fazem, trazendo muito das suas famílias de origem”.

Na sociedade em que vivemos, cada vez mais assistimos a jovens fazerem este tipo de contrato, acreditamos que a fase de namoro (prolongada) permitiu o conhecimento suficiente do outro.

Porém, assistimos também aos mais arrojados apostarem neste comprometimento, acreditando que o factor tempo em nada acrescenta àquilo que consideram um sonho. Parece que, no fundo, tudo gira em torno do mesmo: o que será o namoro se não uma preparação para o casamento?

A bíblia diz que os casados terão dor e aflições, passando por muitas atribulações. Será que ela não quis dizer apenas que enquanto seres humanos não somos perfeitos?  As pessoas casam com base em expectativas e grande parte delas remete para a felicidade com base no provável conhecimento do outro. O que pode constituir uma expectativa irrealista.

Nem sempre o casamento é sinónimo de felicidade! As expectativas podem ser válidas, mas e quando não se concretizam? Certamente surge a desilusão, e aí a sua lua-de-mel será transformada em lua-de-fel! E, como podemos nós, enquanto humanos, dar continuidade à vida harmoniosa, quando começam a chegar as contas, a falta de diálogo, as reacções inesperadas, os filhos e a frustração? No percurso de todos os contratos que se fazem ao longo da vida, muitas das cláusulas podem não ser cumpridas, algumas delas sendo até mesmo violadas, por variadíssimos motivos que, neste caso particular, podem até servir para engrandecer a relação.

Podem, inconscientemente até, servir para nos equilibrar, ao permitir que os casais coloquem os pés no chão e percebam que o outro não passou de uma expectativa irrealista. A grande dificuldade, e de certa forma desafio, é passar por diante do irrealismo, e conseguir manter uma relação harmoniosa.

Devemos ter sempre em conta que gerir aspectos como a negatividade, às vezes até promovidos por casais amigos, que em nada somam, devido à incapacidade de encontrar aspectos positivos em si próprios, devem ser de todo eliminados.

Porque não tentar encontrar pessoas que nos fazem bem? Jovens casais, busquem sempre o diálogo como aliado, façam planos conjugais conjuntos, sorriam um com o outro e sejam perseverantes.

Amadureçam os vossos casamentos com honestidade e confiança, estejam sempre presente e mantenham a vossa segurança e espaço de conforto. Invistam em amizades conjuntas e aprendam a ceder. Nunca se esqueçam que neste contrato umas das cláusulas remete para o seguinte “prometo-te ser fiel, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, até ao último dos nossos dias”!

 

 

RAIVA… COMO LIDAR COM ELA?

“Procure respirar de forma calma e procure pensar em coisas agradáveis, de forma a desviar-se da emoção negativa que está a sentir”

A raiva é um sentimento próprio do ser humano, mas não tem necessariamente de ser algo mau.

Contudo, muitos de nós temos dificuldade em lidar com este sentimento, porque somos ensinados desde muito novos que não devemos sentir e, muito menos expressá-lo.

Mas esta aprendizagem de recalcar a raiva é consequência da falta de entendimento acerca do que é sentir raiva e agir com raiva. Vários autores são unânimes em afirmar que manifestar raiva é perfeitamente normal e pode até ser saudável.

A raiva constitui um veneno para a nossa mente, apenas quando se torna num sentimento destrutivo e desequilibrado, capaz de afectar as nossas relações com o outro, nas mais variadas esferas da vida. As suas consequências para a saúde podem ser verificadas pelo surgimento da hipertensão, úlceras, depressão, obesidade, entre outras patologias. Um aspecto que chama a atenção na nossa sociedade é a raiva (expressa em agressividade verbal e física) que verificamos nos nossos condutores, nas nossas estradas.

Tal facto demonstra, claramente, a existência de uma grande dificuldade em lidar com a frustração e encontrar recursos viáveis para a sua gestão. Os nossos condutores, quando reagem desta forma, esquecem-se que aprender a controlar a raiva e a expressá-la de forma mais adequada, ajuda a construir melhores relacionamentos, a atingir objectivos e a levar uma vida mais saudável e satisfatória.

Como gerir, então, este sentimento que faz parte do nosso dia-a-dia? Primeiro que tudo, deve perceber se tem este sentimento e quais as situações que o desencadeiam. Procure respirar de forma calma e procure pensar em coisas agradáveis, de forma a desviar-se da emoção negativa que está a sentir. Tente sempre dialogar consigo mesmo de forma positiva. Pense no seguinte: Porque não se ri daquilo que o irritou? Sabe-se que gerir o sentimento de raiva é uma arte difícil, mas para aqueles que alcançam este patamar, as recompensas são prazerosas.

“Guardar raiva é como segurar um carvão em brasa com a intenção de atirá-la em alguém; é você que se queima”. (Buda)