Eu sou grata

“Agradecer um favor, um apoio, uma gentileza, uma orientação ou uma oportunidade não é apenas uma demonstração de reconhecimento e de educação. É um tributo à justiça.”

A gratidão é dos sentimentos mais nobres do ser humano e das palavras mais difíceis de entender e de pôr em prática, apesar de apreendermos, desde muito cedo, que para termos um coração feliz, a gratidão é fundamental. De facto, todos nós gostaríamos de sentir gratidão, mas não é fácil ser constantemente grato em todas as coisas e, principalmente, nas adversidade da vida.

Ao longo dos anos, tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas cujo sofrimento parecia penetrar-lhes os cantos mais recônditos da alma. Poucas delas me ensinaram o que poderíamos fazer para tomar a vida mais agradável, mais alegre e até gloriosa. Mas a experiência e a convivência com estas pessoas ensinou-me que atitudes positivas, quando transformadas em hábitos, podem, sem dúvida, complementar a nossa felicidade.

A verdadeira gratidão encontra-se na apreciação de pequenas coisas e na oportunidade de aprender algo novo, buscar ser alguém melhor. E também quando agradecemos por coisas simples e a pessoas que, de alguma forma, nos ajudaram. Agradecer, ao que tudo indica, pode até parecer um acontecimento banal, mas constitui uma acção geradora de mudanças positivas nos relacionamentos e até na nossa própria saúde e sanidade mental. Não é por acaso que estudos recentes mostram que, ao sermos gratos, as nossas emoções positivas são enaltecidas e isso faz de nós pessoas menos stressadas, mais alegres, vitais, com rápida recuperação de doenças e melhorias ao nível de relacionamentos sociais.

Ser grato é ter um “sentimento de reconhecimento, uma emoção por saber que uma pessoa fez uma boa acção, um auxílio, em favor de outra”. É uma dívida, é querer agradecer a outra pessoa por ter feito algo muito benéfico.

Na realidade, a gratidão resgata a nossa memória positiva e melhora a auto-estima e auto-valorização por sabermos onde estamos e qual o nosso potencial, ajudando na percepção de que somos fortes e capazes, seguindo a ordem do sucesso: ser, fazer e ter.

Nada é mais íntegro do que reconhecer o mérito de um acto bom. Agradecer um favor, um apoio, uma gentileza, uma orientação ou uma oportunidade, não é apenas uma demonstração de reconhecimento e de educação. É um tributo à justiça.

Temos de saber agradecer em termos práticos a quem nos ajudou, apesar de se verificar que quem tem gratidão tem dificuldade em agradecer por não saber a quem o fazer. “A gratidão é virtude das almas mais belas”. (sn)

Quem nunca sentiu medo que atire a primeira pedra

“O medo existe e isto é uma constatação. Esse fenómeno continuará, sem dúvida, presente nas nossas vidas, se nós não tivermos a capacidade de mudar o pensamento que o alimenta.”

Todos nós temos medos e por vezes incorremos no erro de achar que eles fazem parte da nossa personalidade. Temos medo de cair, de sair, dos manipuladores, do poder e dos que adoram o poder. Temos medo de morrer e de que alguém muito próximo de nós morra. Temos medo de trair e ser traídos, de amar e ser amados, de mudar e até mesmo de dizer ao outro eu te amo e sou capaz de abdicar de tudo por ti. Temos medo da loucura, do prazer, de querer e ansiar por mais e nunca mais parar de querer. Temos medo de ser diferentes e aceitar a diferença, de mudar e reiniciar, de ser responsável, livres e até mesmo de sonhar.

O medo pode ser considerado um tipo de reacção involuntário do nosso corpo, faz parte da nossa existência e é necessário para a nossa protecção e imortalização. Pode igualmente tornar-se um problema do qual não nos livramos, acabando por causar danos à nossa vida. Durante a nossa vida aprendemos a evitar o medo, o que nem sempre constitui a postura mais acertada. A origem do medo, grande parte das vezes reside no nosso passado, naqueles traumas (que às vezes achamos pequenos) e expectativas não alcançadas. Contudo, a grande questão reside em como superá-lo! O medo existe e isto é uma constatação. Ele continuará, sem dúvida, presente nas nossas vidas, se nós não tivermos a capacidade de mudar o pensamento que o alimenta.

Devemos acima de tudo tentar compreendê-lo, aceitando-o sem necessitar da aprovação por meio do que nos é imposto socialmente. Vamos deixar de lado a ideia de que somos incapazes, percebendo que o medo é uma mera ilusão e ver o mundo com base na realidade (como ele é).

Você deve ter consciência que o medo não pode paralisá-lo(a) e deixar que existe crescimento interior. Porque não focar-se nos danos que o medo pode causar? Forcar-se nas suas reais potencialidades e valorizar-se? Esquecer os fracassos? Aprender com a experiência dos outros para vencer e dar espaço a pensamentos que somem? Tenha confiança em si e escolha sempre para si metas que tenha consciência que podem ser alcançáveis.

Pense positivamente e reflicta, pois “o medo é o que impede que tudo o que chega às mãos dos homens não se torne em sua propriedade” (Agustina Bessa-Luis).

Todo o ser humano é por natureza ansioso

A ansiedade é considerada uma emoção normal que caracteriza a nossa espécie. É com a ansiedade que nós aprendemos a proteger-nos e a reagir diante de uma situação de perigo. Quando ela é normal, funciona como um sentimento que acompanha mudanças na vida de cada um de nós. O leitor lembra-se do frio sentido na barriga, quando entrou pela primeira vez na sala de aulas? E quando fez a sua primeira prova e esperou pela nota? Recorda-se da sensação de medo, acompanhada de suor nas mãos e batimentos do coração bem acelerados?

Estava provavelmente ansioso, nestas situações, e nem por isso desistiu, as sensações desagradáveis que sentiu. Isto é a ansiedade normal! Este tipo de ansiedade ajuda-nos a autoconhecer-nos e auxilia a nossa capacidade de adaptação, pois faz com que fiquemos em alerta e tenhamos a capacidade de resolver os problemas com precisão.

Afinal, quando é que a ansiedade se torna patológica? Torna-se problemática em duas situações particulares quando não existe causa para nos sentirmos ansiosos; ou quando até  existe uma situação que nos deixa ansiosos, mas à qual nós reagimos de forma desproporcional, isto é exagerada.

Os sintomas que acompanham a ansiedade, em qualquer situação, podem ser físicos e psicológicos. Entre eles, vale a pena citar: inquietação, palpitações, suores, sensação de opressão no peito, náuseas, vómitos, diarreia, sensação de falta de ar, medos sem fundamento (de animais, de falar em público, etc.), vertigens, sensação de estômago apertado, boca seca, sensação de insegurança, tremores, tensão muscular excessiva, insónia, etc.

Vários factores podem estar na base do seu surgimento e de todas as dificuldades da vida, designadamente a angústia, as dificuldades pessoais de inserção na sociedade, os conflitos interiores no domínio afectivo, emocional e sexual, situações de dor e o abuso de certas substâncias (café, chá preto, tabaco, e drogas diversas), bem como a presença na família de pessoas próximas com problemas de ansiedade (progenitores e familiares directos).

A ansiedade patológica engloba uma gama muito vasta de transtornos de ansiedade, nomeadamente: o transtorno de pânico; ansiedade social; fobias; transtorno obsessivo-compulsivo e agorafobia e stress pós-traumático. A ansiedade patológica faz com que o nosso organismo reaja sempre como se estivéssemos em situação de perigo.

Lógico que isto é desgastante e pode requerer ajuda psicológica e psiquiátrica, quando o indivíduo já não consegue funcionar no seu dia-a-dia. Como pode ser superada essa sintomatologia? Em primeiro lugar, torna-se relevante considerar que a ansiedade é um fenómeno universal e, por isso, faz parte da nossa existência.

Devemos reconsiderar sempre o nosso modo de vida e isto implica a adopção de hábitos de vida saudáveis. Tácticas como fazer exercício físico, evitar o consumo de bebidas que contêm cafeína na sua constituição, fazer uma massagem, aprender a respirar, fazer actividades que relaxem, (como caminhar, espreguiçar ao acordar e várias vezes ao dia), tentar pensar positivamente (afaste os pensamentos negativos do seu dia-a-dia e foque a sua atenção nas coisas boas que estão a acontecer à sua volta), planear e organizar os seus afazeres (façam um calendário com as actividades a executar e aprenda a sair com antecedência para os seus compromissos) e aprender a comunicar (fale das suas preocupações e medos com um amigo, familiar ou companheiro, pois poderão ajuda-lo a lidar com a situação e com certeza você poderá sentir-se mais aliviado).

E relembre sempre que “A ansiedade faz toda a esperança parecer angustiante”. (João Paulo Diniz).

O Casamento e suas expectativas

“A grande dificuldade e, de certa forma, desafio, passa por diante do irrealismo conseguir manter uma relação harmoniosa”

Algures, durante a minha formação em Psicologia, um professor proferiu o seguinte: “O casamento é um contrato em que ambos os cônjuges o fazem, trazendo muito das suas famílias de origem”.

Na sociedade em que vivemos, cada vez mais assistimos a jovens fazerem este tipo de contrato, acreditamos que a fase de namoro (prolongada) permitiu o conhecimento suficiente do outro.

Porém, assistimos também aos mais arrojados apostarem neste comprometimento, acreditando que o factor tempo em nada acrescenta àquilo que consideram um sonho. Parece que, no fundo, tudo gira em torno do mesmo: o que será o namoro se não uma preparação para o casamento?

A bíblia diz que os casados terão dor e aflições, passando por muitas atribulações. Será que ela não quis dizer apenas que enquanto seres humanos não somos perfeitos?  As pessoas casam com base em expectativas e grande parte delas remete para a felicidade com base no provável conhecimento do outro. O que pode constituir uma expectativa irrealista.

Nem sempre o casamento é sinónimo de felicidade! As expectativas podem ser válidas, mas e quando não se concretizam? Certamente surge a desilusão, e aí a sua lua-de-mel será transformada em lua-de-fel! E, como podemos nós, enquanto humanos, dar continuidade à vida harmoniosa, quando começam a chegar as contas, a falta de diálogo, as reacções inesperadas, os filhos e a frustração? No percurso de todos os contratos que se fazem ao longo da vida, muitas das cláusulas podem não ser cumpridas, algumas delas sendo até mesmo violadas, por variadíssimos motivos que, neste caso particular, podem até servir para engrandecer a relação.

Podem, inconscientemente até, servir para nos equilibrar, ao permitir que os casais coloquem os pés no chão e percebam que o outro não passou de uma expectativa irrealista. A grande dificuldade, e de certa forma desafio, é passar por diante do irrealismo, e conseguir manter uma relação harmoniosa.

Devemos ter sempre em conta que gerir aspectos como a negatividade, às vezes até promovidos por casais amigos, que em nada somam, devido à incapacidade de encontrar aspectos positivos em si próprios, devem ser de todo eliminados.

Porque não tentar encontrar pessoas que nos fazem bem? Jovens casais, busquem sempre o diálogo como aliado, façam planos conjugais conjuntos, sorriam um com o outro e sejam perseverantes.

Amadureçam os vossos casamentos com honestidade e confiança, estejam sempre presente e mantenham a vossa segurança e espaço de conforto. Invistam em amizades conjuntas e aprendam a ceder. Nunca se esqueçam que neste contrato umas das cláusulas remete para o seguinte “prometo-te ser fiel, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, até ao último dos nossos dias”!

 

 

RAIVA… COMO LIDAR COM ELA?

“Procure respirar de forma calma e procure pensar em coisas agradáveis, de forma a desviar-se da emoção negativa que está a sentir”

A raiva é um sentimento próprio do ser humano, mas não tem necessariamente de ser algo mau.

Contudo, muitos de nós temos dificuldade em lidar com este sentimento, porque somos ensinados desde muito novos que não devemos sentir e, muito menos expressá-lo.

Mas esta aprendizagem de recalcar a raiva é consequência da falta de entendimento acerca do que é sentir raiva e agir com raiva. Vários autores são unânimes em afirmar que manifestar raiva é perfeitamente normal e pode até ser saudável.

A raiva constitui um veneno para a nossa mente, apenas quando se torna num sentimento destrutivo e desequilibrado, capaz de afectar as nossas relações com o outro, nas mais variadas esferas da vida. As suas consequências para a saúde podem ser verificadas pelo surgimento da hipertensão, úlceras, depressão, obesidade, entre outras patologias. Um aspecto que chama a atenção na nossa sociedade é a raiva (expressa em agressividade verbal e física) que verificamos nos nossos condutores, nas nossas estradas.

Tal facto demonstra, claramente, a existência de uma grande dificuldade em lidar com a frustração e encontrar recursos viáveis para a sua gestão. Os nossos condutores, quando reagem desta forma, esquecem-se que aprender a controlar a raiva e a expressá-la de forma mais adequada, ajuda a construir melhores relacionamentos, a atingir objectivos e a levar uma vida mais saudável e satisfatória.

Como gerir, então, este sentimento que faz parte do nosso dia-a-dia? Primeiro que tudo, deve perceber se tem este sentimento e quais as situações que o desencadeiam. Procure respirar de forma calma e procure pensar em coisas agradáveis, de forma a desviar-se da emoção negativa que está a sentir. Tente sempre dialogar consigo mesmo de forma positiva. Pense no seguinte: Porque não se ri daquilo que o irritou? Sabe-se que gerir o sentimento de raiva é uma arte difícil, mas para aqueles que alcançam este patamar, as recompensas são prazerosas.

“Guardar raiva é como segurar um carvão em brasa com a intenção de atirá-la em alguém; é você que se queima”. (Buda)

SOU ESCRAVO DO MEU TELEMÓVEL

O uso do telemóvel generalizou-se de tal forma no dia-a-dia, que se pode quase afirmar que este pequeno objecto passou a fazer parte integrante da dinâmica de todos nós. Basta sair à rua e tentar perceber quem não tem um telemóvel hoje em Luanda, isto para não dizer em Angola. E, mais, quantos deles não são topo de gama?

De facto, esta pequena maravilha da tecnologia faz com que grande parte de nós se mantenha em contacto com o mundo, ao mesmo tempo que também nos torna mais autónomos na questão de partilha do nosso universo com outras pessoas, ao contrário do que acontecia com o nosso antigo telefone fixo (usado por todos lá de casa). Apesar de todas as suas vantagens (poder estar no Facebook, partilhar fotografias, trocar mensagens, falar para fora sem pagar e visualizar o outro em tempo real), o seu uso de forma desmedida pode constituir uma doença do foro psíquico chamado nomofobia. O termo nomofobia pode até parecer-lhe estranho.

Mais hoje já começa a ser bastante falado, surgindo associado à sensação de angústia ou mesmo fobia, experimentada por algumas pessoas quando se sentem impossibilitadas de se comunicar ou se vêem incontactáveis quando estão num local sem o telemóvel ou sem rede.

Esta doença do telemóvel (provocada pela inaptidão de comunicação), que atinge jovens como adultos, pode aparecer associada a efeitos físicos, como dores de cabeça, aumento da frequência cardíaca (coração bate de forma acelerada), ansiedade e nervosismo.

Agora gostaria que o leitor fosse capaz de se questionar acerca do seu posicionamento em relação ao telemóvel seria capaz de sair de casa sem este dispositivo? Num jantar, seria capaz de deixá-lo no bolso do casaco? Ou, então, desliga-lo durante uma reunião ou algum acontecimento importante? Consegue ficar pelo menos metade do seu dia sem mandar mensagens ou aceder aos aplicativos que este aparelho lhe confere? Imagine que se esquece do telemóvel em casa. Como se sentiria? Imagine que seu telemóvel fica sem bateria num local onde não o consegue carregar. Sentir-se-ia angustiado? Imagine um local isolado, sem rede, onde vai passar o fim-de-semana. Sentir-se-ia ansioso?

Espero com este tema conseguir que você seja capaz de reflectir acerca dos seus comportamentos com este objecto e perceber se a sua utilização no seu dia-a-dia é de facto normal ou já remete para um vício que gera dependência e toca aquilo a que chamamos nomofobia.

Um exemplo bem prático pode ser verificado num restaurante, enquanto aguarda pela sua refeição: certamente verá vários amigos a conversar e um deles de certeza vai estar “agarrado” ao telemóvel a ver as actualizações das redes sociais. O mais interessante será você perceber que quando a conversa pára a situação piora, o silêncio toma conta de tudo e vemos todos “agarrados” ao telemóvel. Não será isto sinónimo de dependência? A dependência é doença e, como tal, deve ser tratada! Os telemóveis “(…) roubam o nosso tempo, atrapalham os relacionamentos e podem até causar acidente de trânsito. Quando é a hora de desligar?”

*Barifouse, R& Ayub, I (2012) O celular que escraviza. Revista Época: Editora Globo, SA.

 

DAR A VOLTA POR CIMA

“Ter uma atitude positiva na vida que o ajude a dar a volta por cima “em grande”, depende apenas de si.”

“A vida é uma caixinha de surpresa”. Quantas vezes ouvimos e proferimos esta expressão? Passamos por várias situações na vida que consideramos difíceis e que aos nossos olhos parecem nem ter solução.  Mas apenas nos esquecemos que nada na vida acontece por acaso e que podemos tirar sempre o melhor partido de todas as situações, por mais negativas que sejam. Somos seres movidos pela emoção e pela necessidade de realização imediata.

Com mais facilidade, retiramos das situações negativas da vida os aspectos menos bons. É interessante notar que, quando buscamos suporte nos amigos e na família, até eles, nas situações mais difíceis, nos fazem crer que o problema somos nós, pensando que ao responsabilizar-nos estão a ajudar.

Um dos utensílios mais inteligentes que possuímos é a nossa inteligência emocional, isto é, a capacidade de conseguirmos identificar os nossos sentimentos e os dos outros, gerir com serenidade as nossas emoções no nosso âmago e no dos outros, de forma a termos relacionamentos mais satisfatórios e com sucesso.

Neste sentido, porque não agirmos diante das situações difíceis com base no questionamento inteligente? Por exemplo, numa situação em que você percebe que a sua vida profissional ou pessoal é ameaçada, ao invés de perder tempo com perguntas do género “porquê é que isto está acontecer comigo? ou porquê agora? que se encontram carregadas de um negativismo extremo, não inverte o caso utilizando “como poderei solucionar?”, ou “como farei para melhorar?, que nos encaminham para uma tomada de posição mais construtiva e positiva?

Podemos, sem dúvida, alimentar o nosso cérebro com um alento novo que nos impeça de ficar no registo negativo de que tudo de mal é um dado adquirido. Quando agimos na vida com base na emoção incorremos no erro de proceder, em grande parte das situações que nos parecem difíceis, motivados pelo impulso, o que nos faz perder o controlo de muitas situações. Podemos ser resilientes (enfrentar as adversidades da vida e recuperarmos diante delas) em tudo que nos parece difícil e optar pelo pensamento positivo utilizando a técnica dos 3 “R” (renovar, reenquadrar, e redireccionar).

Muitos dos nossos pensamentos negativos podem não ser reais. Devemos achar que, apesar, de ser difícil, seremos capazes de superar e optar por algo que seja sempre motivador.

Se pretende criar um futuro fantástico, transforme o seu desespero em esperança! Reforce sempre a positividade em si, não se esquecendo de ter uma atitude positiva na vida, que o ajude a dar a volta por cima “em grande”, tudo depende apenas de si!

Extraído do livro: Comportamento sob o olhar de uma psicóloga.

 

ESTÁ BOM… MAS…

“Sentimo-nos desencorajados, minamos todo o nosso desempenho adquirido até então (muita das vezes com o crítico construtivo) e acabamos no marasmo da frustração.”

Gostei de ouvir a tua entrevista televisiva… mas…; gostei do teu trabalho… mas…; fizeste um bom negócio… mas; gostei do tema analisado na semana passada… mas… Mas… mas, mas e mas! Crítica! Na maior parte das vezes destrutivas.

A crítica é uma rotina nas nossas vidas que nem nos damos conta quando criticamos alguém. Criticamos toda a gente, família, amigos, colegas de trabalho e até mesmo aqueles que mal conhecemos. Contudo, esquecemos sempre e mais uma vez que, ao criticarmos, projectamos apenas o que vai no nosso interior: o conflito.

Hoje vamos retratar aqui o tipo de crítico mais comum a que chamamos “canibal”.

Este tipo de crítico destrutivo, não crítica de uma maneira humorística, nem se destaca por ser um mero detalhista ou um crítico profissional. Ele julga de forma directa e ataca por meio das mais severas formas de crítica pessoal e desprezo, sem ter em conta os sentimentos da pessoa criticada.

Aprendemos desde a mais tenra idade, que quando fazemos uma crítica esta deve servir para melhorar aspectos na pessoa criticada e não punir, destruir ou rebaixar como o que observamos no veneno lançado pelos canibais. A crítica deixa marcas!

Lógico, que todos nós necessitamos de ter um pouco de coragem para utilizar os nossos talentos naquelas situações que exigem desafios, confiança e coragem. Sempre que somos alvo de críticas de extrema depreciação deixamos de acreditar nos nossos esforços para fazer algo novo e diferente, a vontade de experimentar fica destruída.

Sentimo-nos desencorajados, minamos todo o nosso desempenho adquirido até então (muita das vezes com o crítico construtivo) e acabamos no marasmo da frustração. Parece que fica muito mas fácil entrar na onda defensiva: “sei que não me saí bem… mas…”.

Porque é tão difícil adoptarmos o pensamento de que ao conseguirmos fazer algo

bom (ainda que pareça pobre para muitos) por mais que sejamos criticados, o nosso feito é construtivo para nós? Devemos desenvolver a capacidade de filtrar aquilo que em nada nos acrescenta e deixar de supervalorizar opiniões alheias sem nenhum fundamento.

Agradecer este tipo de crítica com respostas como: “obrigada pelo seu comentário”, “por favor avise-me quando reparar novamente”, vai deixá-lo desarmado. Lembre-se sempre que “ninguém é tão crítico das pequenas falhas alheias quanto os culpados das grandes falhas”. (Richard Glover) De canibais o mundo está cheio!

QUERO DINHEIRO…

“Parece que a sociedade está limitada e dependente do dinheiro e ele se está a tornar num vício que alimenta a vida das pessoas e as faz esquecer que com, esta forma de estar, contraem o mal-do-século, “a depressão”, e vivem como se nada mais produzisse efeito, que não o pedir dinheiro.”

Kota vai estacionar? Tem de deixar uma gasosa! Deixe um saldo e resolvo o seu problema! Preciso de um adiantamento para poder terminar o serviço! Todos os dias ouvimos estas palavras que sem dúvida tiram-nos do sério! Para tudo um preço, mesmo quando nem se quer deveríamos pagar.

Este tipo de comportamento demonstra à futilidade e o valor atribuído ao dinheiro no nosso social. O dinheiro hoje acaba de forma bem consciente por transformar objectos intangíveis em mercadorias comuns, até mesmo aqueles desprovidos de utilidade. As pessoas acabam por perder a noção da consciência e da honra, até aquilo que até então não se pode comprar passa a ter um preço.

Parece que a sociedade está limitada e dependente do dinheiro e ele se está a tornar num vício que alimenta a vida das pessoas e as faz esquecer que com esta forma de estar contraem o mal-do-século, “a depressão”, e vivem como se nada mais produzisse efeito, que não o pedir dinheiro. As famílias se desfazem, os relacionamentos são calculistas, nada mais importa a não ser a ambição. Um exemplo flagrante de falta de escrúpulos pode ser verificado ao nível do sistema de saúde. Como é possível não se fazer um parto sem ter que se pagar?

Não ser atendido num hospital público porque não se dá uma “gasosa”? Eis aqui exemplos claros da nossa crise social existencial, sem contar tantos outros que fazem parte da história e nos tornam em seres incapazes de reflectir sobre a própria vida e motivação pelo dinheiro.

Estar bem, não se resume apenas em ter ou querer ter dinheiro. Pedir dinheiro é um vício, que pode ser comparado a muitas dependências como o alcoolismo. Mas o porquê desta doença? Não será isto um vício? O viciado tem problemas consigo mesmo e com tudo o que está à sua volta e parece não conhecer outra maneira de subsistir dentro deste mundo, a não ser através da satisfação do seu vício. O dinheiro e o pedir têm um poder de sedução, que mexe com a adrenalina de quem gosta de pedir.

Uma sociedade com pobreza, é aquela que não utiliza todo o potencial que tem!

Por isso a única forma de reduzir este tipo de acção é consciencializar as pessoas do mal que fazem ao ceder aos pedidos infundados. Tem de se pensar que, ao dar um dinheiro naquele momento, não se sabe que fim terá. Não temos noção se a pessoa comprará pão, alimento ou se vai alimentar um vício. Temos de deixar de funcionar da forma como Thailide diz: “Não sei como te agradecer”. “Aceito dinheiro”.

por Júlia dos Santos

Psicóloga Clínica

e Docente Universitária

TENHO RESPEITO!

“Respeitar é não discriminar ou ofender o outro por causa da sua forma de viver ou suas escolhas e não, o que muita gente acha: ‘concordar, concordar e sempre concordar’.”

Hoje fala-se tanto no respeito como na questão dos valores. Ouve-se diariamente as pessoas dizerem: “eu exijo respeito”; “eu sou mais velha”; “respeito é bom e eu gosto”… etc., etc., etc..

É facto que todo e qualquer ser humano gosta e precisa ser respeitado. O respeito, além de ser considerado uma valiosa virtude, é essencial e está associado aos nossos comportamentos e atitudes. Mas o que se passa actualmente? Será que as pessoas ainda se recordam do conceito de respeito? Então porque não avivarmos a nossa memória com relação a este conceito antes de o exigirmos sem o praticarmos? A palavra respeito deriva do latim respectus (sentimento positivo) que significava olhar outra vez. “Por esse motivo, respeito também pode ser uma forma de veneração, de prestar culto ou fazer uma homenagem a alguém (… )

Ter respeito por alguém também pode implicar um comportamento de submissão e temor”. Então preocupa-me o facto das pessoas esquecerem o ditado popular que diz: “se queres ser respeitado tens que te fazer respeitar”.

Respeitar é não discriminar ou ofender o outro por causa da sua forma de viver ou suas escolhas e não, o que muita gente acha: “concordar, concordar e sempre concordar”.

Neste sentido, o que podemos dizer acerca das pessoas que vemos serem agressivas na forma como falam com o outro? Que intimidam, humilham e envergonham? Será que se respeitam a si próprias? Como podem elas respeitar o outro quando se constrangem com o propósito de demonstrar que têm poder? Que benefícios obtêm com o desrespeito? O desrespeito é o principal causador da violência que verificamos em todos os aspectos e o acumular de tensões nervosas que acabam por culminar em condutas agressivas.

O que as pessoas se esquecem é que o desrespeito as leva a viver em constante briga consigo. Ganha-se muito mais respeitando o outro. E, quando isto acontece o fenómeno “rivalidade” que nada mais é do que uma guerra para sobreviver, acaba por ser eliminado. Ninguém sobrevive tendo como metodologia as discórdias, a força física, imposição e a arrogância de querer dominar tudo e todos.

O respeito não se compra, conquista-se! Porque não optar por ser um bom modelo? Ser detentor das suas próprias opiniões ao invés de optar por ser uma “Maria vai com os outros”? Você pode sempre ser uma pessoa culta e não pensar permanentemente em tirar vantagem ao outro alegando respeito! “Se você quer respeito, reveja suas acções e vê se merece tê-lo na medida em que o pratica”.

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